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quinta-feira, 29 de março de 2007

E vou ficando...

Queria ficar aqui,
hoje e amanhã,
e mais um dia e outro,
ter como espelho o riacho,
esquecer os sapatos
em casa
e passear por entre as ervas
que amanhecem
a primavera!

Ao longe oiço os animais
que se alimentam destes prados,
e os seus guardadores,
contam-me histórias,
e eu fico quieta a ouvi-los,
não têm nada e têm tudo,
pois guardam lá dentro
o segredo do amor!
Falam-me do sol,
da chuva, das neves e da
vida, que gira
em volta do nada...
Aqui, neste mundo,
não há nada,
mas existe tudo!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Estou longe...



E adormeço

o sol ainda brilha

mas eu adormeço

cansada, mas feliz,

sujei os pés na terra

molhei-os no riacho,

deixei-me invadir

pela natureza,

pelo grito silencioso

das aves

que mergulham em mim

e de mim,

me levam para outros voos,

hoje não tenho o mar,

para me embalar,

mas tenho o silêncio

de uma natureza

que se assossega,

ao cair da noite,

e deixa em mim os rastos

de uma calma

que me é estranha,

mas que agora é minha!

sábado, 17 de março de 2007

Medo?


Não tenho medo...
olho-te,
olhos nos olhos
e nunca te vi...
Sei que
Não existes,
Lá fora
Só podes existir dentro
De mim,
Mas eu não te quero,
Não te tenho...


Medo,
Não conheço o teu rosto
Nunca ouvi a tua voz
E nunca te deixarei
Resgatar-me para ti
Porque eu
Sou mais forte
Que tu
Por isso
Não tenho medo,
Desafio-te nas fileiras
Tenebrosas
Em que me persegues,
Sem que eu te veja...
Mas não!
Nunca me encontrarás,
Não cairei
Nas tuas armadilhas,
Porque eu
não te quero!

Foto - Desconheço Autor

quinta-feira, 15 de março de 2007

A ampulheta da amizade...


Amigo...estás aí...ainda?
as palavras
trairam-te...
trairam-me...
trairam-nos,
magoaram-nos,
as lágrimas soltaram-se....
Mas, passou...
já estavas desculpado
muito antes de o pedires
não temos jeito
para discutir...
eu sei...
mas dicutimos...
Mas,
quero que saibas
que seguro na minha mão a
ampulheta da amizade
que ficarei aqui
virando-a
uma vez e outra,
até que o tempo se esgote,
até que não haja
mais tempo...
para que entendas
que não são duas, ou três
palavras
que mudam o curso
da amizade,
não!
Duas ou três palavras
não podem pôr em causa
anos e anos de palavras!
Esqueçamos o dia
em que o nosso coração
chorou...
e recordemos
todos os dias que ele riu!
Quero-te bem!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Eis as palavras...

Revejo-me entre as palavras,
Não o que digo
Mas muito mais o
Que não digo,
Vejo
o meu pensamento
que corre
No breve momento
Em que me dou
Em que tiro de mim
o que escrevo.

Vejo-me nas palavras,
Toco-as sem as tocar
Lanço-as,
Recolho-as
Baralho-as
no fundo de mim.

E nada faz sentido
Porque o sentido
É tudo
E não é nada...

Relato sentimentos
Misturo revoltas
Envolvo
Em solidão,
ou não
E...
...eis as palavras.

terça-feira, 13 de março de 2007

E arde...

Quando não me entendem
Um mar em chamas
Começa a arder em mim
Sinto cada filamento
de mim própria
a ser consumido,
e uma dor imensa
me atravessa,
percorre
lentamente todo o meu ser
sem pressas,
num acto egoísta...
só para eu sofrer
mais um pouco
e outro pouco...


E eu fecho os olhos
para mim
e para o mundo
quero estar só
e sentir a dor
que não quero
mas que é minha
por isso,
deixo-me arder
nesta fogueira,
que se há-de
transformar em cinza...


segunda-feira, 12 de março de 2007

Saudades...

Saudades do tempo
em que me descobria
Em mim,
Saudades,
Da idade
da inocência...

Saudades das marcas
Que deixaste em mim
e eu em ti
marcas,
não cicatrizes,
marcas de amor...

Em que um sorriso
Era o sol a raiar
E uma lágrima
Anuncio de tempestade
Um beijo
Era ousar o amor,
E um abraço,
Ternura..

Saudades,
Porque o tempo não volta
O tempo perde-se
E com o tempo...
Quebra-se o encanto
E descobres
Que a cabana na praia
Não existe...
...E o amor...?

domingo, 11 de março de 2007

Só sei...VOAR...

Eu não sou aquele pássaro,
que abriram a gaiola
e agora pode voar...
Não!


Eu nunca estive na gaiola,
sempre vivi na liberdade
que me liberta,
aprendi a voar,
muito antes
de aprender a viver...


Por isso...
não sei,
aproveitar a escassez
da liberdade,
só a liberdade total ...
porque eu...
só sei ...voar...

sábado, 10 de março de 2007

A calma...que acalma...

Fico no alpendre
junto ao mar
a falar contigo,
falas-me das terras
longínquas
e eu gosto de te ouvir,
a tua voz é serena
harmoniosa,
olhamos o mar,
nele buscamos o infinito,
e mais uma recordação
mergulha em nós...
sorrimos para o mar...

Tu partes,
e eu fico...
Continuo no alpendre
a olhar o mar,
como se tu ainda estivesses
como se a tua serenidade
continuasse a pairar
no ar e no mar,

Sinto-me calma,
a ouvir uma e outra fraga,
e o timbre da tua voz que
se mistura com o mar,
imenso,
que é meu e não é...

Quero que a calma perdure,
mais um pouco,
e outro,
por isso adormeço
junto ao mar,
para que ele embale
o meu sono,
na calma que acalma...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Nada é meu...




Deixo as minhas marcas
No caminho
Que vou traçando
Em mim
Mas que me ultrapassa
Que não é meu...


Deixo rasgado o tempo,
Porque o tempo não existe
só existe
Para além de mim
...não é meu...


Não quero nada...
Só quero,
Que o sangue
Que transporto
Em mim
Continue a correr,
A galopar
A deixar-me escrever,
Escrever,
É com ele
Que sempre escrevo,
E nem ele é meu,
Mas teu,
Se o quiseres ler!




quinta-feira, 8 de março de 2007

Por ti...paro um pouco...

Eu sei... que me agito
no frenesim
das minhas emoções
galopantes,
sei que não entendes
o ritmo louco
da minha pessoa,
sei que sabes
que passo a vida,
a lutar para mudar tudo,
e não consigo mudar nada...


Mas tu chegas da tua luta,
do teu mundo,
falas-me dele,
e eu queria estar lá...
e então paro,
para te ouvir...
porque tu fazes cair
as paredes,
transformas a madeira
em marfim,
o ferro em ouro,
as palavras
em vida...
ante os meus olhos,
tu és um alquimista...
e eu fico parada,
quase por terra
a ouvir-te!

Foto - Desconheço autor

Sou guerreira...

Sou mulher
Toda a vida fiquei triste
Por ser mulher
Pensava que os homens
eram muito mais felizes,
As mulheres
são seres subestimados
Numa sociedade
Terrivelmente machista.

Por isso tornei-me guerreira,
Inconformada,
revoltada,
Não há homem
Que ponha um pé
á frente do meu,
Eu estarei sempre
na linha da frente
A lutar com as mesmas armas,
A mostrar aos homens
e ao mundo
Que podemos tanto quanto eles,
Que o mundo precisa
De acção, movimento
De corações de mulheres
Que amem,
Que sejam frágeis
ou guerreiras
mas que
Lutem sempre!

terça-feira, 6 de março de 2007

Espalhando emoções...

Fico parada...mas só um pouco,
abri os olhos
e isso chega...
Tenho que continuar
a correr pelo mundo
espalhando as minhas emoções
o turbilhão de emoções
que se desenrolam,
em mim,
que só acalmam
quando as diluo no mar
é aqui que venho,
todos os dias
lançar as minhas emoções,
peço-lhe que as leve
e que as traga,
no meio de uma onda,
e fico parada
olhando o mar
e vendo-me a mim
diluida no mar...
na água,
na areia,
no cheiro inebriante
do mar...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Nua na Chuva...

Preciso ser regada,
Preciso quebrar
O deserto que há em mim
Por isso deixo-me estar
Nua
na chuva
Para que a chuva entre em mim
Para que regue, regue
O meu frágil ser
Que fica adormecido
No sol ardente do deserto
Quero que a chuva trespasse
O meu corpo
E a minha alma
O meu ser
E o meu exitir...

domingo, 4 de março de 2007

E adormeço...

Sinto uma calma,
que não é minha,
como se já não conseguisse
abrir os meus olhos,
como se a minha voz tivesse sumido,
e o mundo parasse...
Fecho os olhos,
que já não consigo abrir,
fecho a minha mente,
mas não o meu coração...
deixo-o aberto...ainda...
e deixo-me levar,
embalada pelo grito quieto das ondas,
deixo-me ir e ficar,
e adormeço...
não sem antes sentir o esvoaçar
de pombas brancas,
que me acalmam e
me embalam,
num sonho tranquilo,
que não é meu...

Ò Lua...

Tinha que te ver,
envolta no som do mar,
tinha que te sentir
mais perto,
por isso fui,
até ao mar,
fiquei nas dunas,
parada,
quieta,
em mim,
mas para ti,
longe de todos
queria estar só...
contigo e com o mar,
queria ver
o momento
em que te entregavas,
num gesto intemporal
de amor...
em que te deixavas anular
desparecias..
mas voltavas,
deixavas que a tua luz
fosse levada
e a ti retornasse
com menos intensidade,
mas...
eras tu
e não eras...
via-te, embalada
pelo som do mar,
eu tu... e o mar...

sábado, 3 de março de 2007

O vento...


Adoro ser como o vento
Que desliza,
Que toca em tudo e todos
Mas que
não é Possuído,
nem quer possuir,
Toca e parte
Parte e toca
Não se deixa ver,
Mas agita
tudo ao seu redor
E dança, dança
Ao som do tempo,
Do tempo que foi
Ou que há-de vir,
E se não vier,
Continuará a existir,
No vento...



sexta-feira, 2 de março de 2007

Selvagem!

Hoje tenho em mim a força do mundo,
sinto-me guerreira,
selvagem,
hoje,
deixo o mar,
e vou para a floresta
tenho em mim a força
que ofusca o medo,
hoje não tenho medo,
nem lágrimas,
nem preciso de aliados
quero combater sozinha,
sinto-me
capaz de pegar no mundo,
de lutar,
mesmo sem armas,
nem que seja só hoje...
...mas hoje,
tenho a força em mim!