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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Coração...


Arranquei o meu coração de mim
Não, o quero mais,
Quero viver sem coração
Quero ser fria, dura e egoísta
Quero esquecer que o mundo existe
E só importar-me comigo...
É assim que tantas vezes quero ser
É assim que eu deveria ser
Que eu sou o ser dos seres e os outros
Não existem...
Assim nunca mais me poderão magoar...

Lancei o meu coração ao mar,
Para longe muito longe
Para ele não voltar,
Para ele se esquecer de mim
E fiquei a vê-lo afastar-se
Queria sorrir e chorava
Já não tinha coração...
...eu já tinha morrido...
e o mar ainda me o devolveu...

E escrevo...

Fico quieta a escrever,
no acto inconformado
deste viver...
e...escrevo,
porque,
quero gritar, pedir ao mundo
que me entenda
que me deixe
continuar
que não pisem os meus passos
não calem as minhas palavras
que não as falseiem
que as leiam
porque foram escritas
com a única tinta que sei escrever...
a tinta que retiro do fundo de mim
que me corre nas veias...
tudo o que vés é sangue,
espalhado nas palavras que te deixo...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Hoje...

Hoje...
o sol vai raiar para mim,
deixo-me ir
ao sabor do vento,
na corrente do mar,
hoje, só hoje
não tenho medo,
o mar é meu...
Sinto a força
dentro de mim,
amanhã ficarei
novamente em terra,
mas hoje o mar é meu,
o vento, o tempo,
tudo isto é meu
e tenho dentro de mim
a força da vida
que faz o meu sangue
correr mais rápido,
hoje sou forte
por isso,
não tenho medo...

Na praia...

Fiquei na praia,
até ser noite,
até que o último pedaço de sol
mergulhasse no horizonte,
queria vê-lo esfumar-se,
para mim...
o sol...o mar...e a noite
só para mim,
sentir o odor, do mar,
a brisa leve,
a areia molhada
nos pés,
e uma calma imensa
povoando o mais profundo de mim
queria ficar ali,
até ser dia,
abandonada
a essa sensação
de ter e não ser
de calmaria, calmaria
que entrava por mim a dentro
sei que eu quisesse,
sem que eu pedisse...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

E tocas para mim...

Ficas a tocar violino
para mim...
uma melodia tão triste
que me faz chorar
e eu choro...
abro a janela
e oiço o mar,
num gemido que
confundo com as notas que
vais ferindo no teu violino,
e ficas a tocar para mim,
e eu fico a ouvir-te
e a ouvir o mar
e a chorar,
olhando ao fundo
o mar
e vendo o sol
que vai descendo
no horizonte
e deixo-me ficar a ouvir
a tua música triste, triste...

Sozinha...



De costas viradas para o mundo,

caminho

numa estrada

escura e

sem sentido,

perco pelo caminho

a bagagem

não tenho nada

não sou nada,

perco-me e encontro-me

e continuo só,

abandonada,

perdida

na estrada escura,

onde os meus passos

se perpetuam nas

pegadas dos que passaram

antes...

E eu sozinha,

caminho

deixo os sulcos dos meus

passos

para os que virão depois...

Entrego ao mar...



Mais um dia...

que quero guardar no mar

as minhas angustias,

deixo-as ir,

para não ficarem,

talvez voltem,

mas se voltarem,

voltarão com o sabor a mar,

no mar que eu vejo

da janela onde escrevo

que não tem começo.

nem fim...

O silêncio...

Mergulho no silêncio,
viro as costas ao mundo
e fico só...
mas não fico bem,
hoje...
Precisava ouvir-te,
precisava que a tua voz
ecoasse no silêncio,
que o quebrasse para mim
Hoje,
o silêncio dói,
dói muito,
por isso viro as costas
ao mundo
e fico só...
com a minha dor...

recomeçar...

Deixo-me ficar...sentada
parada...á espera...
Ensaio os movimentos,
parada...
as lágrimas caiem,
uma, depois outra,
sem pressa...

Pego no conta quilometros
da minha vida e
ponho tudo a zero...
recomeçar...
outra vez...
Não!!!
Não quero!
Já não consigo...
recomeçar,
não tenho força,
sinto-me só
e quero estar só
...ou não...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Saudade...

Queria dizer que não me importo
Que sigo em frente
E não olho para trás...
Mas, não é verdade
Estas paredes estão cheias de mim
O meu pequeno mundo
Está lá fora
Espera por mim todos os dias
É lá que poiso os meus olhos, em cada instante
Do meu dia...uma vez e outra e outra,
Já não tenho forças,
Para dizer que não me importo,
Porque me importo,
Porque tudo se vai esfumar
Como se nunca existisse,
Mas o pior nem é isso,
O pior é que existiu um dia,
Daqui ...
Já vi o mundo desabar
Já chorei até á ultima lágrima
Já vi o mundo soerguer-se
Já ri de coração
E agora parto...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Se não houver amanhã...


Se não houver amanhã
hoje quero estar sozinha
sentada,
num precipicio,
Quero contemplar o mar.
e deixar-me embalar,
quero ouvir as ondas
rebentar,
e deixar-me ficar...
Se não houver amanhã,
quero estar sozinha e
desenhar no meu coração
todos os rostos
que quero guardar
para mim...
Se não houver amanhã,
não chores,
sorri apenas...

Pedras...

As pedras
que me ferem
que me magoam,
nelas tropeço todos os dias,
como um ritual que se repete
um dia e outro dia...

Os meus pés sangram,
ninguém irá curá-los
ninguém, afastará deles
as pedras...

E ainda assim
Continuo,
numa marcha quase imóvel
que me faz caminhar,
um dia, outro dia,
sobre as pedras...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Parti...

Adeus!
Fui-me embora,
não sei se voltarei,
um dia...
Fui para um sítio
onde nada existe,
só os pássaros,
a natureza e eu...
porque aí posso
ver tudo...
mais claro,
mais limpo...

Adeus!
Não sei se volto,
não sei se consigo voltar
para a mesquinhez das pessoas,
para a minha propria mesquinhez,
parti...não sei se volto...

Coração gelado...

Às vezes sinto
o meu coração gelado,
frio, muito frio,
em gelo,
como se nada o pudesse aquecer,
e dói cá dentro
nem sei bem porquê...
mas dói
uma dor que não se explica,
só sinto, sinto, sinto...

Porque no sentir,
revejo o que vivo,
o que não vivo,
o que podia viver,
só sei que por sentir,
sinto e existo,
existo e sinto,
mesmo gelado...
o coração é meu...

Caminho...

Caminho sozinha,
num caminho estreiro,
estranho
e fragil,
eu propria me sinto fragil,
sempre, sempre, sempre,
o perigo espreita,
tenho medo
não existem pessoas,
para além de mim,
que faço...
estou sozinha
se não sou,
é por que fui,
mas já voltei,
agora vejo
que estou apenas
no caminho,
que posso seguir em frente,
ou apenas voltar para trás...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

O beijo do sol...




Depois da noite
vem o dia
depois da lua
vem o sol...
Depois da lágrima
vem o sorriso
depois de ti
venho eu,
Como o sol se levanta
também eu me posso levantar
como a lua me beijou
também o sol me pode beijar,
E do escuro brotar o dia
como a mão que desenha a tela
também o sol me pode desenhar
e beijar,
Mas quero ser a primeira
quero sentir o seu amor
só para mim
quero ser egoista
uma vez, duas vezes
esquecer o mundo que se esqueceu
de mim
e ter o sol só para mim!
E porque é dia
que todos saibam deste beijo!


Quero a lua...

Quero a lua
mas não um pedaço
quero-a toda só para mim
agora que todos dormem
a lua é minha
veio beijar-me
na noite fria
ninguém a pode ver
só eu
quero ser egoista
e ter a lua só para mim
que ninguém veja este beijo
que ninguém saiba
que a lua foi só minha
uma noite,
em que ela veio
e me serenou
no tumulto
do meu ser,
a lua,
desceu para mim,
e eu
no fundo do meu ser
subi com ela!

A nudez...


Nua,
é assim que me sinto,
sem roupa,
mas por dentro
retirei peça a peça...
tudo o que podia
destrocer a imagem
do meu ser,
do meu frágil ser,
quero vê-lo ao pomenor
sem roupa,
para que nada fique oculto
para me entender,
para me descobrir,
estou vazia,
e nua...
vejo tudo
claramente
em mim,
sou eu e eu
de mim e para mim
porque só no nada
me posso encontrar
reencontrar
ser eu,
mas sempre dentro
só dentro...

Foto - desconheço autor

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Posso fechar os olhos?

Hoje no meio da multidão
quero fechar os olhos
e estar só
quero segurar
a cabeça entre as minhas mãos
como se fosse o mundo
que eu segurasse...
Quero dizer
que estou
mas não sou
que ninguém precisa de mim
que me sinto
rejeitada
só mais um dia
só mais um bocadinho
amanhã será outro dia
mas hoje
agora
não quero estar no mundo
quero sair do mundo
para um mundo
que é só meu,
onde não existem pessoas
só eu,
apenas eu...

Posso chorar?


Hoje quero chorar
chorar muito
chorar até que tudo
á minha volta sejam
lágrimas
que se misturem
me engulam
que me anulem
me façam
deixar de ser
só quero existir
nas lágrimas
para que ninguém
me veja,
para que ninguém saiba
onde me encontrar...

Porquê Lágrimas?

É cedo...
quando na minha vida
tudo é tarde,
é cedo e choro
é cedo e grito,
quem me irá entender?
ninguém,ninguém...

Vivo abandonada,
num eu
que não encontro,
num eu que não existe,
por isso não o podes ver,
nem tu,nem ele, nem ninguém

Vivo e não vivo,
luto para viver,
embora nem queira viver
passeio-me pela vida
mas a vida não se passeia por mim

É cedo...e choro,
choro porque é tarde,
choro porque não sei quem sou,
nem onde estou...

Será que te amei?


Não sei se te amei...
não sei ,
ou se eras tu que querias
que eu te amasse...
talvez te tenha amado
na inocência do meu ser...
os beijos que trocamos
ficaram parados
num tempo exacto,
numa inocência que para ti
não o era,
nunca o foi..
Eu passeei
pelos corredores da tua alma,
eu, pura, casta e descalça,
era eu, e continuei a ser eu,
querias que a mão que embalava
o berço,
fosse a mesma que pegasse
no punhal,
e eu disse não,
não queria sangue,
nem lágrimas...
preferi
ser eu a chorar
e deixar
o meu coração a sangrar...