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sábado, 30 de junho de 2007

Hoje...eu sou...


Hoje, eu sou
o mar revolto,
o mar que
quer beijar
a areia,
no beijo fujidio
e furtivo
da loucura,
de partir
antes de chegar.


Quero inundar,
avassalar tudo
ao meu redor.


Na onda
que me envolve,
quero rasgar o mar,
no estilharçar do momento,
hoje,
eu sou
o mar...

Foto - António Soares

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pedaços

Recordo as vezes que fui
Para não ficar
Rasgo-me e dobro-me
Em mil pedaços,
Dos pedaços que fui
E dos que nunca chegarei
A ser...
São pedaços perdidos
E nunca encontrados
doridos
Na dor profunda que se crava
Na pele
Quando o sol deixou de brilhar
E a noite fez-se escura
Permaneceu escura...
E eu acordei e adormeci
Nos braços frios da noite
Que um dia amanheceu...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Encontrar-me

Perco-me no mundo
Para a seguir me encontrar
Voltar
A ser
Emergir de mim própria
Quedo-me no silêncio,
Perco a noção do tempo
Que fiz e desfiz
Como um tapete
Que vou tecendo
Com as cores
Do meu ser
Um dia azul
Outro negro carregado
E faço e desfaço
Um dia coloco pérolas
No outro destroços
Perco e encontro-me
Esvazio e encho-me
De mim,
De mim...
Porque tudo começa
E se prolonga no dedilhar
Silencioso
Da penumbra de nós
Quando caí o véu
E vemos claramente
Onde estamos,
quem somos
E porquê...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O vento...



Hoje acordei
Com o vento
Ouvia-o deslizar
Como um murmúrio
Confundido-se
Com o estilhaçar das ondas,

Por isso caminhei...
Mas hoje não iria
Para o mar
Hoje
Queria
Saborear o vento
Queria senti-lo,
Queria ouvir
A balada do vento
No pinhal...
No deslizar das agulhas
Dos pinheiros
Fiquei…

O sol amanheceu
Ficou a pique
Entardeceu
E eu deixe-me ficar,
Ouvindo hoje
A balada no pinhal!